domingo, 17 de outubro de 2010

(...)



You and me
Maybe
Probably not

I'm so...

Insecure to accept
Young to understand
Ridiculous for love

Is Time really the heart of the matter?

You're so...

Strong, to say no when necessary
Adult, to put work before love
Unattainable sometimes

We're so different, aren't we?

I am leaving
Going away, will it be as icy as I think?
Should I imagine a future with you?
I am trouble, and now I've got a lot of questions
But I cannot find answers

But I know something...
Now I like you more than I thought
And I don't wanna stop
Please, not now
Don't leave me here alone.



(March, 2010)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

When I look at the world

A proposta da professora era que cada aluno desenhasse em uma folha de papel alguma coisa que estivesse relacionado com sonhos e desejos. Era mais uma daquelas dinâmicas de grupo do Ensino Fundamental, em que você acaba "se expondo" e passando vergonha no final. Havia um pedaço de barbante, que dividia a sala formando um varal onde seriam penduradas as folhas de A4. E cada um seria convidado a explicar sua "obra de arte" diante da classe.

Seu desenho era ambicioso, e ao mesmo tempo, interessante. Era o contorno de um mapa mundi, em uma projeção "autoral", e a explicação suscinta o bastante para aqueles tempos, outros tempos... "O mundo professora, quero conhecer o mundo". Haviam alguns percalços no caminho, até mesmo porque seu mundo era muito pequeno e limitado. O mundo Google ainda não havia se tornado tão comum, e a Barsa e seus verbetes cumpriam muito bem tal função de ser "janela para o que não se podia ver".

(...)

A professora acabou levando o desenho, e aquele jovem nunca mais pôde vê-lo. Ele cresceu, conheceu outro mundo, se mudou. Sonhava com o Planalto e queria ser internacionalista, depois acabou gostando da ideia, e resolveu mudar, ser jornalista. Hoje, quer ser um misto de tudo isso. Viu seus planos mudarem - mas riu quando tudo pareceu reordenado. Talvez o melhor dos sonhos seja realizado quando você consegue olhar para trás e ver que em um desenho já haviam traços do que você deseja nos dias de hoje. Eis a tal da conexão entre passado e presente, buscando um futuro.


When the night is someone elses
And you're trying to get some sleep
When your thoughts are too expensive
To ever want to keep
When there's all kinds of chaos
And everyone is walking lame
You don't even blink now, do you
Or even look away

So I try to be like you
Try to feel it like you do
But without you it's no use
I can't see what you see
When I look at the world

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Mundo grande

Quando não sei o que dizer, eis que me aparece Drummond e diz tudo. Fala sobre a vastidão do mundo e sobre coisas que pra mim são tão atuais... Poema que li na adolescência, e que fazia tanto sentido naquela época - hoje o releio de um modo completamente diferente. Talvez meu mundo tenha girado...

O homem e o mundo, os conflitos, os sonhos, os projetos... as andanças: eis a vida! Eis o que não sei dizer, por mim mesmo, neste final de Agosto:


Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que ele estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos – voltarão?

Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
– Ó vida futura! Nós te criaremos.

domingo, 25 de julho de 2010

Sobre encontros e desencontros


Milhares cruzam as ruas neste momento. São ruas que não precisam de nome, dignas dos mesmos temores... pavimentos construídos para dar passagem,abrir caminhos, para guiar, transportar. São aberturas iluminadas que guardam segredos, testemunham mistérios e se tornam palcos de estórias diversas...

No entorno do centro da cidade alguns carros buzinam e o barulho as vezes é insuportável. Ambulantes gritam, carros de som passam, as pessoas acabam esbarrando umas nas outras - tudo parece acontecer em uma sintonia frenética, desordenada. Os gestos e olhares revelam a presa de chegar a algum lugar qualquer, são horários que devem ser cumpridos, e que acabam aprisionando as pessoas em convenções e regras. Não existe mais tempo para si próprio, não existe tempo para o outro. Seríamos verdadeiramente livres?

A presa, a rapidez, as horas escassas, o sentimento de que o tempo passou e você nem percebeu. Os compromissos, a agenda do dia, os minutos, os segundos...

Mas em meio a tudo isso você permanece só, observando. É apenas mais um estranho e a menos que alguma fatalidade ocorra, ninguém perderá tempo com você. Mas não existe um sangramento visível aos olhos apressados dos que passam, não aconteceu nenhum acidente com você. É por dentro que sua dor persiste e a solidão parece não ter fim. São problemas que aprisionam e calam os gritos, são marcas de uma individualidade - verdades do nosso tempo.

Sim, você pode estar perdido, só em meio a uma multidão de pessoas que apenas esbarram em você. Mas talvez sua história se cruze com a de outra pessoa em alguma esquina pela frente.

Entre um cruzamento e outro, enquanto as horas passam, você pode estar parado enquanto todos continuam andando. Mas se você não parar e apenas seguir adiante por entre os sinais e placas, talvez você encontre alguém... ou apenas encontre a si próprio.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Amores platônicos ao som de Oasis

Ela 'sempre' andava com fones de ouvido, e parecia 'sempre' atarefada o bastante para apressar o passo e sair correndo pra casa assim que batia o sino da escola. Eu devia ter uns 12, e ela uns 17. Enquanto eu saia do curso de inglês, ela chegava pra ter aulas em um nível muito acima do meu. Eram tempos de Britney Spears e Backstreet Boys, mas ela não parecia curtir as músicas que toda garota curtia. Ela lia livros densos, do tipo clássicos da literatura.

Um dia ela chegou mais cedo no Inglês. Período de jogos no colégio e muitas atividades extras. Sentei-me no sofá e começamos a conversar. Perguntei, acanhado, o que ela gostava de escutar[Não contei, mas ela tinha um disckman na bolsa]. Ela era fã de Oasis, e não poderia ser diferente.

(...)

Foi então que eu escutei a música que seria sempre responsável por trazer a tona os amores platônicos da minha pré-adolescência.

Não demorou muito e ela se mudou da pacata cidade. Não a vejo há muito tempo, mas pelo menos ainda posso escutar "Don't look back in anger".