terça-feira, 20 de setembro de 2011

Desordem



Uma série de acontecimentos menores, muitos pensamentos - da epifania dos mais loucos e desavisados projetos, à realidade nua e crua de páginas em branco e um trabalho de conclusão de curso que ainda não saiu. É possível pular etapas? Eu respondo, de modo sensato, que não. Não sei se é realmente uma característica da juventude, ou se é algo exclusivamente meu, mas consigo divagar por horas em meus próprios pensamentos e projetos e sonhos e metáforas e construções. No meio disso tudo, o que é imediato, acaba sendo adiado - deixado para última hora. 

E as coisas vão acontecendo, num ritmo que mistura bagunça, megalomania e neuroses. Meus sonhos e projetos sempre parecem tão distantes, tão complexos. Acho que por isso me atenho a promessas que fiz a mim mesmo poucos meses atrás. Mas apesar dos percalços, no fundo, eu sei que tudo isso é um sinal de que este momento é singular e que sim, os sonhos podem se realizar, e podemos fazer o que desejamos de nossas vidas; I've got a good life...





domingo, 31 de julho de 2011

Everything’s moving everything’s changing


Na verdade este espaço moribundo já deveria ter sido enterrado, ao menos é o que eu penso. Eu gosto de blogs, e acredito que tudo o que eu tenho registrado ao longo dos anos diz muito a respeito de mim mesmo - lá se vão alguns anos desde que eu entrei na faculdade e retomei meus posts confusos e metalinguísticos.

Eu até acho que a prolixidade daqueles dias foi se perdendo e hoje eu (finalmente) consigo escrever coisas concretas, diminuindo as metáforas chulas e tentando ser mais sóbrio em minhas conexões. No final das contas, eu escrevo pra mim mesmo, porque gosto, e mais do que isso, porque ainda é uma das únicas maneiras que eu encontrei de falar - pelo menos a mais eficaz, no meu caso.

Talvez há alguns anos eu tinha uma preocupação muito grande em "me compreender", e nessa jornada pessoal eu acabava me confundindo ainda mais. Digo isso porque estive lendo coisas que escrevi em 2008, por exemplo, pequenos contos, poemas, comentários...

Acho que estou tentando fechar ciclos e  me dedicar a outras coisas. Talvez isso seja parte da síndrome que acomete universitários às vésperas da formatura, talvez... E como parte desse processo, reler o que escrevi é importante, e chega a ser até cômico ao olhar pra mim mesmo e ver como eu "pensava" - mesmo em um curto espaço de tempo - e como eu mudei.

Dentre os meus "projetos para o futuro" está a morte desse espaço e a criação de um novo, talvez não um espaço como esse blog Tratado se propõe a ser; mas uma página simples na qual mostrarei minhas ideias com fotografias (amadoras e autorais) e textos curtos. Por outro lado, manterei uma página "portfólio", já me preparando para o que "virá" em breve.

Enquanto refugiados da Somália chegam ao Quênia, fugindo de uma seca devastadora, além de conflitos internos, eu estou aqui, ouvindo Revolution (Beatles) e tentando colocar minha vida em ordem. Em tempo de feeds e informação "realmente em tempo real", é possível ter uma noção de tudo o que acontece simultaneamente às nossas ações - posso contar um segredo? Isso me assusta.

Neste exato momento, tem um post-it pregado em frente à minha tela, com uma imensa lista de "coisas para fazer", e  muitas abas abertas. It's been a hard day's night... e tudo o que eu posso oferecer ao mundo - assim como há 4 anos atrás - é minha própria confusão. Ao som dos Beatles, é claro!

sábado, 23 de julho de 2011

I can't make you love me

Relacionamentos: complexidade, idas e vindas, preenchimento, felicidade, tristeza, corações partidos, amores correspondidos, amores não correspondidos, amores platônicos.

De certo modo, todo mundo vai experimentar sensações parecidas com as descritas acima. Amar, se apaixonar... Eu cheguei à conclusão de que isso não ocorre apenas no campo afetivo entre duas pessoas, mas pode definir também o relacionamento de uma pessoa com uma cidade, uma nação, uma ideologia. Eis a complexidade do tema, mas eu não quero me prender a isso (para evitar divagações maiores).

É certo que amaremos e pode ser que sejamos correspondidos (ou não). A maneira com a qual lidamos com a possibilidade de "não ser correspondido" faz toda a diferença -  e no pacote da rejeição existem inúmeras questões, a maioria delas estão muito ligadas à auto-estima.

Talvez em meio a todos esses sentimentos controversos e todos os desencontros, nós (com maturidade) percebamos que não adianta sofrer tanto, nem se cobrar tanto. E não adianta um boicote a si mesmo, tampouco auto alflagelar-se.

É preciso compreender que, na vida, acontece de você "amar alguém" e não ser amado, não ser correspondido. E acima disso, não importa o que você faça, não é possível fazer com que alguém te ame. Essas coisas simplesmente acontecem...


De fato, eu parei para pensar nesse assunto após o anúncio da morte de uma mulher que cantava suas dores, que dizia quem era e o que sentia com uma transparência invejável. Eu confesso que a última vez que escutei um de seus álbuns essas mesmas questões me vieram à mente.

Afinal de contas, a visão que eu tenho de Amy Winehouse é de uma mulher com problemas de auto-estima que amava intensamente mas que infelizmente não foi correspondida, e que sofreu por isso. Talvez o excesso em tudo tenha contribuído para isso - sucesso,  dinheiro e drogas não conseguiram comprar "o amor", tampouco amenizar as dores que ela sentia.

Posso simplificar ou então dar uma interpretação muito própria a respeito da complexidade que foi a vida da problemática cantora... mas eu não consigo analisar de outra forma ao ouvir Tears Dry on their Own ou Back to Black.

Amy não pode ser lembrada apenas como o paradoxo entre a irresponsabilidade e o talento.

É bem verdade que nós não sabemos o que se passava em sua vida - mas se suas letras dão alguma pista, e seu romance frustrado com Blake Fielder-Civil servem como indícios, eu posso me lembrar dela como alguém que amou intensamente e pode não ter conseguido superar uma rejeição.

Abaixo, a belíssima voz de Adele cantando "I can't make you love me", um cover de Bonnie Ratte.




sexta-feira, 1 de julho de 2011

"I'll never, ever gonna let you go"

Does exist one Yoko for each John?


"You've always walked your own path. You just have to widen it a little... And lookout for your Yoko." - JOEY: "Barefoot at Capefest (Dawsons Creek)

Even after all this time
I miss you like the sun don't shine
Without you I'm a one track mind dear Yoko
After all is really said and done
The two of us are really one
The goddess really smiled upon our love dear Yoko
(from the album Imagine, 1971)

terça-feira, 28 de junho de 2011

Desbravador de Sombras

Encontrar-te ficou deveras complicado
Na minha mente existe apenas o espectro do teu sorriso
Tenho teu cabelo e teu cheiro
Apenas nos sonhos

As esquinas que cruzei
Os mares que nadei
O mundo novo que desbravei
Apenas para encontrar-te
Mesmo não te conhecendo

Mesmo assim possuia tua imagem
Teus gestos
Já conhecia todos os teus medos
Todos os teus erros

Os lugares pelos quais passei
As correntezas que enfrentei
O mundo que descobri
Foi tudo...

Apenas para encontrar-te


(19 de Abril de 2009)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

"Eu sou eu e minhas circunstâncias"

Por gravitar ao redor da grande cidade acabei me deparando com meus próprios sonhos e realizações.Talvez eu nunca tivesse pensado nisso de forma sistemática.

Talvez era realmente necessário que eu estivesse aqui - fisicamente no sítio dos "acontecimentos" - para que me desse conta de que existe uma conexão instrínseca entre as decisões que tomei e os rumos do planeta nesse século XXI. Talvez eu tenha sido empurrado pela História, mas apenas hoje desemboco aqui e compreendo um pouco melhor tudo isso.

Eu tinha apenas 12 anos quando aviões se chocaram contra as torres gêmeas do World Trade Center em Nova York (eu já escrevi sobre o tema aqui mesmo, no blog). Era o acontecimento que marcaria o início do século. A cobertura maciça dos meios de comunicação me expuseram a uma realidade que eu conhecia apenas nos livros de História e nas enciclopédias. Aquele dia e os meses seguintes foram determinantes para que eu decidisse estudar Jornalismo. Um pré-adolescente vislumbrado com um tipo de beleza que apenas a tragédia pode proporcionar.

Um pouco depois, em 2003, mísseis eram despejados em Bagdá. Explosões causadas por Tomahawks, jornalistas no front e toda a tecitura de conversas diplomáticas - costuras em prol da guerra (ou não). Naqueles dias eu decidi que queria compreender melhor como a guerra, enquanto promotora da catástrofe, funcionava. Quais eram as conversas por trás dos ataques? As estratégias e os reais motivos? O conflito no Iraque foi, sem dúvidas, determinante para que eu me voltasse para as relações internacionais e os estudos a respeito de globalização e ciência política. 

Um acontecimento desencadeando outro, e de tabela, me levando a explorar áreas afins. Estes são os fatos que me cercam nestes dias. "E sou eu e minhas circunstâncias", e hoje reflito um pouco mais sobre tema e penso no futuro. E é interessante perceber que a História conseguiu me influenciar de uma maneira intensa, construindo muito do que sou. 

Não se trata apenas de uma análise do passado, como os professores daquele pré-adolescente teimavam dizer. A História é viva e contínua. Talvez os acontecimentos acima citados não tenham afetado tanto outras existências quanto a minha. Mas certamente existiram fatos e momentos que determinaram o que cada pessoa é, veio a ser ou será. 

De certo modo, com tantas referências e conclusões tiradas agora - no calor do momento - tenho como certo que os livros, as revistas e tudo o que eu vivi nos últimos anos - seja estudando Jornalismo ou durante minha intermitência "política" nas terras geladas resultou no que eu "sou" hoje. 

E por ser exatamente o que "as circunstâncias me levaram a ser", olho tudo como um processo e me vejo completamente integrado a ele - sem arrependimentos, sem escolhas erradas. A grande cidade é o centro do mundo para muitos, e eu não sei se a considero desta maneira. O que sei é que aqui pude encontrar um pouco de mim pelos lugares que passei, e pude responder alguns questionamentos que sempre fiz e que até então ocupavam o espaço entre a sonolência e o amanhecer do outro dia. 

NYC, 16 de Maio de 2011