quinta-feira, 30 de julho de 2009

"As melhores entrevistas da Rolling Stone" em meio à correria do dia-a-dia


Não, Julho não foi como eu gostaria que fosse – na verdade sempre fui acostumado com férias mórbidas e paradas no interior de Goiás. Neste período era tudo muito ritualístico: livros, filmes, TV e comida. Mas eis que nestas férias as coisas mudaram significativamente.

Além de ter passado quase o mês inteiro indo para a Rádio Universitária, ainda tem a correria dos dias que antecedem a terceira edição do Perro Loco Festival. Será um início de semestre um tanto quanto estressante, e de muita correria. Edição geral e monitoria do Jornal das Seis na rádio (junto com minha companheira Paula Falcão) e Perro Loco do dia 25 a 30 de Agosto.

Confesso que não esperava ter tanto trabalho. De um lado, releases, site do Festival, produção de revista, press kit, contato com imprensa e mídia universitária. Do outro, pautas, coberturas, política, economia, o mundo em constante mudança, internet, ideias, e as dificuldades de um jornal diário. Confesso que todas essas responsabilidades são novas para mim – um desafio.

Mas mesmo em meio a todo o trabalho, eu tenho tido momentos de puro prazer lendo um livro que eu já queria ter comprado há muito tempo. Trata-se de “As melhores entrevistas da revista Rolling Stone” - quarenta entrevistas épicas do peródico cultural. Confesso que sempre gostei de ler as entrevistas da RS, seja pela densidade do material, pelo tamanho (incomum para a mídia comercial) e pela certeza de que após ler, eu teria uma espécie de “raios-X” do entrevistado.

Comecei a leitura ontem, e talvez a termine muito em breve, mesmo tendo uma pilha de coisas pra ler e a redação de uma revista para fechar. Sempre que penso em ótimas entrevistas, me vêm à cabeça o trabalho dos repórteres da RS e o desprendimento da revista que possibilita ao entrevistador mergulhar de cabeça na vida do entrevistado, conseguindo ir além da obviedade. Esqueça coletivas de imprensa rápidas e o jornalismo diário que escraviza quem deseja algo, digamos, mais elaborado.

Entrevistas como as listadas pela RS demandam meses, acompanhando os entrevistados por onde quer que forem - verdadeiros encontros com seus drinques e intempéries. Conheça melhor personagens como Pete Townshend, Ray Charles, Truman Capote, John Lennon e Jim Morrison (para citar apenas os personagens das 100 páginas que li). Muitos deles receberam os repórteres em suas casas, outros, como quando Andy Warhol entrevistou Capote, vão sair para um passeio no Central Park e no caminho podem encontrar um bar, talvez.

Ou então você poderá ler o que John Lennon disse, com exclusividade, sobre o fim dos Beatles e sua relação (um tanto quanto complicada) com Paul. Entre os textos, a vida familiar, a infância e os traumas dos famosos entrevistados parecem refletir perfeitamente em seus respectivos trabalhos. Enfim, é um material rico para quem anseia um dia poder trabalhar de maneira livre, tendo a possibilidade de produzir uma entrevista que nada mais é do que uma conversa.

Eu espero ter fazer entrevistas como estas que estou lendo. Perguntas instigantes, inteligentes e provocadoras - para respostas reveladoras, e muitas vezes, históricas. E olha que ainda nem falei da descrição um tanto quanto literária de Truman Capote, que acompanhou a turnê (com orgias e festas dignas dos grandes do rock) dos Rolling Stones pelos Estados Unidos, e se negou a cumprir a pauta e escrever sobre o evento para a própria RS. Ao longo da semana vou compartilhar mais detalhes das entrevistas que tenho lido – e isso, claro, se eu tiver tempo suficiente para compartilhar o delírio deste livro.

Pra quem se interessar pelo Perro Loco, basta clicar aqui. Deixo um trecho da entrevista de John Lennon, feita em 1971, que até agora foi a melhor que eu li.

Então Brian morreu, e depois você disse que o que aconteceu foi que Paul começou a tomar as rédeas.

JOHN: Certo. Não sei o quanto disso eu quero colocar para fora. Paul possuía essa impressão, ele a tem agora, como um pai; a de que nós deveríamos ser agradecidos pelo que ele fez ao manter os Beatles unidos. Mas quando você olha para isso objetivamente, percebe que ele fez aquilo por interesse próprio. Será que foi pelo meu interesse que Paul lutou? (...)

Você tem por acaso uma imagem sua para os próximos anos?

JOHN: Oh, não. Não conseguiria pensar nos próximos anos; é horrível ficar pensando sobre quantos anos ainda existem pela frente, milhões deles... Não penso mais do que em uma semana à minha frente. Quiser

2 comentários:

  1. "Não penso mais do que em uma semana à minha frente."

    adorei. quisera eu ser assim.

    beeijo. ;*

    p.s: sim! você vai dar conta do desafio, vai por mim. ;]

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